Feira do Verde: uma história que floresceu em Embu

Entre vasos ornamentais, mudas, temperos e ervas

Rua do verde

Quando se fala em Embu das Artes, é comum que a primeira imagem seja a das artes plásticas, do artesanato e da tradicional Feira que ocupa as ruas do Centro Histórico.
Mas a história cultural de Embu é feita de muitas raízes.
A Feira do Verde é uma delas.
Sua história está ligada à presença da imigração japonesa na região, às comunidades de imigrantes que aqui se estabeleceram e aos conhecimentos trazidos por essas famílias, especialmente aqueles relacionados à agricultura, ao cultivo de flores e plantas e ao cuidado com a terra.
Uma nova paisagem começa a florescer.
A chegada de imigrantes japoneses à região trouxe consigo não apenas pessoas e famílias, mas também saberes, técnicas, formas de cultivo e uma relação muito particular com a natureza.
A agricultura passou a fazer parte da vida e da paisagem local.
Entre os cultivos desenvolvidos ao longo do tempo, flores e plantas ornamentais ganharam espaço e passaram a representar também uma atividade econômica e cultural importante para a região.
É nesse encontro entre terra, trabalho, conhecimento e cultura que encontramos uma das bases da história da Feira do Verde.
O que era produção passou a fazer parte da paisagem.

A Feira do verde é um local onde os visitantes são sempre presentes.

E aquilo que florescia nos campos e propriedades encontrou, nas ruas de Embu, um novo espaço de encontro com o público.
A presença japonesa na história de Embu.
A contribuição da comunidade japonesa não se limita ao cultivo.
Ela faz parte de uma história mais ampla de intercâmbio cultural que também aproximou Embu do Japão.
Em 1982, Embu estabeleceu sua relação de cidade-irmã com Hino, na província de Shiga, fortalecendo vínculos de amizade e intercâmbio entre as duas cidades.
Essa aproximação ajuda a revelar uma característica que aparece muitas vezes na história de Embu: a cultura da cidade foi sendo construída pelo encontro entre diferentes povos, histórias e conhecimentos.
O verde também é cultura.
A Feira do Verde representa, portanto, mais do que a comercialização de flores, plantas e produtos ligados à natureza.
Ela carrega uma memória de trabalho, imigração, agricultura, conhecimento e transformação.
É uma história que passa pela terra, pelas mãos de quem cultiva e pelo olhar de quem transforma o cultivo em beleza.
E, ao chegar às ruas de Embu, o verde passa a dialogar com tudo aquilo que a cidade já vinha construindo.
A madeira dos escultores.
As cores dos pintores.

A rua da Feira do verde sempre desperta o interesse do visitante.

As mãos dos artesãos.
As flores e plantas cultivadas por gerações.
A música.
A gastronomia.
Os diferentes modos de criar e de viver.
Muitas raízes, uma cidade.
Assim como a história das artes plásticas não pode ser contada por uma única pessoa, a história cultural de Embu também não cabe em uma única origem.
São muitas raízes que se encontram.
A presença de Cássio M'Boy representa uma das raízes da trajetória artística.
A imigração japonesa e a tradição ligada ao cultivo representam outra. Depois vieram novos artistas, artesãos, produtores, mestres e criadores, trazendo suas próprias culturas, técnicas e histórias.
Cada um acrescentou alguma coisa.
Cada geração deixou uma marca.
E, pouco a pouco, essas diferentes raízes foram formando uma cidade cuja identidade cultural nasceu justamente da capacidade de receber, misturar, transformar e criar novos caminhos.
A Feira do Verde faz parte dessa história.
Uma história que começou na terra, floresceu pelas mãos de muitas pessoas e continua viva nas ruas de Embu das Artes.
Porque aqui, cada raiz conta uma história.
E quando elas se encontram, a cidade floresce.