A Arte Conta a Arte

Uma série para chamar de nossa

Toda obra de arte tem uma história

Mas antes da arte existir...
Existe alguém.
Um sonho.
Uma escolha.
Um caminho.

É assim que a tradição cultural da Feira de Embu das Artes continua viva. Convidamos você a conhecer algumas dessas histórias.

A banda se apresentando em frente ao Centro Cultural.
Musicos posando para foto.

A Banda dá o tom das nossas histórias

Que rufem os tambores...
Que soem os trompetes...
Que os saxofones anunciem o início desta jornada...

Antes de conhecer a Feira de Embu das Artes, convidamos você a ouvir as histórias que ecoam por suas ruas, por seus artistas e por sua cultura.
Toda grande história merece uma grande abertura.
E poucas tradições representam tão bem a identidade da cidade quanto a Banda Municipal de Embu das Artes.
Com mais de um século de existência, ela atravessou gerações, acompanhou as transformações da cidade e continua emocionando moradores e visitantes.
Muito antes de a Feira se tornar um dos maiores patrimônios culturais do Brasil, a música já anunciava encontros, celebrações e momentos inesquecíveis.
E se hoje essa história continua sendo escrita, é também graças a quem assume a responsabilidade de mantê-la viva.
Nosso agradecimento ao maestro Hamilton Oliveira e todos os integrantes da Banda Municipal de Embu das Artes, que, com talento, dedicação e amor à música, tão bem representam a nossa cidade.
Que as novas gerações continuem encontrando nessa Banda uma voz para celebrar, emocionar e contar a história de Embu das Artes com talento, motivados e orgulhosos pela referência longeva do legado construído.
Porque, há mais de cem anos, a Banda Municipal dá o tom das nossas histórias.
É por isso que escolhemos começar por ela.

Banda Municipal de Embu das Artes


Onde a arte encontrou um lugar para florescer

Todos se encontram aqui na Feira.
Largo 21 de Abril

Conexão artesanal inexplicável

Antes de conhecer as histórias de quem faz a Feira de Embu das Artes acontecer, vale a pena entender o lugar que acolheu tantas trajetórias.
Originalmente chamada apenas de Embu, a cidade viu sua vocação artística falar tão alto que adotou oficialmente o sobrenome que todos já usavam por meio de um plebiscito popular.
Cercada por áreas preservadas de Mata Atlântica e inserida na região dos mananciais da Guarapiranga, a cidade transformou sua vocação em identidade, tornando-se oficialmente Estância Turística.
Hoje, de um lado, abriga o charmoso Centro Histórico e a tradicional Feira; do outro, revela bairros dinâmicos onde novos artistas e coletivos fortalecem diariamente a cena cultural local.
É essa mistura de natureza, tradição e inovação que torna o território único.

Feira de Embu das Artes

O menino que não parou de criar

Wanderley Perez Bris - WSAartesanato

Expondo no Salão do Turismo

A criatividade, às vezes, permanece guardada dentro de nós, esperando apenas o momento certo para florescer.
Muito antes de produzir os baús e arcas que hoje encantam visitantes da Feira de Embu das Artes, Wanderley era apenas um menino curioso que observava, fascinado, o trabalho do tio marceneiro.
Foi ali que nasceram suas primeiras experiências com a madeira e o desejo de transformar matéria-prima em arte.
Como acontece com tantas pessoas, a vida o levou por outros caminhos.
O mundo corporativo ocupou parte de sua trajetória, mas nunca conseguiu apagar a criatividade que permanecia viva dentro dele. O reencontro com a arte aconteceu de forma inesperada. Após um almoço em família, ao observar uma simples toalha colorida secando no varal, algo despertou.
Aquela cena cotidiana trouxe de volta as lembranças da infância e reacendeu a imaginação do menino que nunca havia deixado de existir.

Baús diversos modelos na exposição da Feira.
Wanderley expondo na feira e mostrando um baú aberto.

Foi desse instante que nasceram os primeiros baús e caixas produzidos em madeira certificada, enriquecidos por delicados acabamentos em marchetaria e, posteriormente, por pirogravuras.
Cada peça passou a carregar muito mais do que técnica e beleza: passou a guardar histórias, memórias e afetos.
Em 1997, transformou o sonho em profissão.
Autodidata, aprimorou seu trabalho ano após ano, consolidando um estilo próprio que conquistou admiradores dentro e fora da Feira de Embu das Artes.
Ao seu lado, Sibeli, companheira de vida há mais de 35 anos, uniu sua criatividade às peças produzidas pela família, fortalecendo um trabalho construído a quatro mãos, onde talento, parceria e cumplicidade caminham juntos.
Dessa união nasceu Arthur, que, após sua formação em Marketing, encontrou na profissão do pai e em seu talento como marceneiro uma nova motivação para também aprender o ofício.
Pai e filho passaram, então, a compartilhar conhecimentos, experiências e trabalhos, transformando a marcenaria em mais um elo entre gerações e estreitando ainda mais os laços familiares.
Seu compromisso com o artesanato também ultrapassou o ateliê.
Participou do Conselho de Artesanato Paulista e esteve entre os fundadores da AEFEA – Associação dos Expositores da Feira de Embu das Artes, entidade que hoje preside.
Mas, antes de qualquer cargo, Wanderley continua sendo aquilo que sempre foi:
Um artesão.
Um criador.
Um contador de histórias através da madeira.
Seus baús guardam muito mais do que objetos.
Guardam sonhos, lembranças e a certeza de que nunca é tarde para abrir o próprio "baú interior" e permitir que a criatividade transforme vidas.

WSAartesanato

Os nós unem sonhos

Mayara atendendo ao público na Feira.

Mayara Moura - Juntando Nós

A tradição artesanal da Feira de Embu das Artes é construída, em grande parte, pelas mãos de mulheres que transformam criatividade em profissão, cultura e legado.
Entre essa nova geração está Mayara.
Durante dez anos, construiu sua carreira no mundo corporativo, mas a vontade de criar com as próprias mãos sempre caminhou ao seu lado.
Foi após a gravidez e o nascimento prematuro do pequeno Hugo que sua vida tomou um novo rumo.
O desejo de acompanhar de perto o crescimento do filho fez com que repensasse prioridades e tivesse coragem para seguir um caminho diferente.

Peças decorativas em macramê, folhas coloridas e pendentes.
Mayara no Centro Cultural Mestre Assis durante uma oficina com um grupo de turistas de Monte ALto/SP.

Com o apoio do companheiro Edmar, decidiu transformar sua criatividade em profissão. Vieram as tentativas, os aprendizados e as descobertas.
Até que encontrou, no macramê, muito mais do que uma técnica artesanal.
Encontrou um propósito.
Assim nasceu a Juntando Nós.
Por meio dos fios e dos nós, Mayara cria peças exclusivas e personalizadas que carregam delicadeza, acolhimento e identidade.
Cada criação revela o cuidado de um trabalho feito à mão e conquista clientes que retornam em busca de novas inspirações.
Mas sua história continuou crescendo.
Assim como sua família.
Há um ano, nasceu Liam, trazendo ainda mais inspiração para sua caminhada como artesã, mãe e empreendedora.
O desejo de compartilhar esse conhecimento também a levou a ministrar oficinas de macramê, mostrando que qualquer pessoa pode descobrir o prazer de criar.
Já no primeiro encontro, seus alunos produzem a primeira peça e vivenciam a alegria de transformar fios em arte.
Seja nas oficinas, presencialmente, online ou visitando seu espaço na Feira de Embu das Artes, conhecer o trabalho de Mayara é descobrir que, muitas vezes, um simples nó é capaz de unir sonhos, fortalecer famílias e abrir novos caminhos.

Juntando nós

Quando o sol virou bússola

Vou para o Brasil - Aqui descobriu seu talento ceramista

Betty nasceu na França.
Aquariana, inquieta por natureza e apaixonada pela liberdade, desde muito cedo alimentava um desejo difícil de explicar: conhecer o mundo e seguir o caminho do sol.
Enquanto muitos buscavam segurança, ela escolheu as descobertas.
Em 2006, desembarcou no Brasil. Percorreu diferentes paisagens, registrou momentos através da fotografia, ensinou francês e, pouco a pouco, descobriu que havia encontrado algo ainda mais transformador: a energia da Feira de Embu das Artes.
Foi ali que sua sensibilidade encontrou um novo caminho.Apaixonada pela natureza, passou a traduzir folhas, flores, texturas e cores em delicadas peças de cerâmica. Jogos de xícaras, pratos, travessas e fruteiras revelavam um olhar refinado, sempre marcado pela exclusividade.

Betty quando estava expondo suas cerâmicas na Feira.

Mais tarde, colares e brincos ampliaram seu universo criativo, surgindo em perfeita harmonia com as peças utilitárias e conquistando admiradores pela delicadeza e originalidade.
Seu sotaque francês rapidamente virou marca registrada. Era quase impossível alguém passar por seu espaço sem ouvir a pergunta que se repetia há anos:
— Mas... o que você faz aqui? Saiu da Europa para morar no Brasil?
Ela apenas sorria.
Porque, no fundo, já havia encontrado a resposta.
O Brasil lhe ofereceu muito mais do que clima quente.
Encontrou aqui o calor humano que procurava.
Betty sempre foi espontânea.
Para alguns, direta demais.
Para quem teve a oportunidade de conhecê-la de perto, revelou-se uma amiga leal, solidária, justa e profundamente comprometida com o coletivo.
Jamais deixou de defender suas opiniões quando acreditava ser necessário, mas nunca confundiu divergências com inimizades.

Betty gostava de interagir com os colegas.

Essa talvez tenha sido uma de suas maiores qualidades.
Sempre escolheu qualidade em vez de quantidade.
Em 2026, aos 45 anos, para seus 20 anos de Brasil, reuniu os amigos mais próximos para celebrar uma nova etapa da vida.
Naquele encontro, fez uma declaração de amor e gratidão por tudo o que construiu no Brasil e pelos dezessete anos vividos na Feira de Embu das Artes.
Era também o momento de fechar um ciclo.
Despediu-se da cerâmica.
Após 17 anos de exposição, despediu-se da Feira.
Mas não da aventura.
Seu espírito livre reassumiu o comando.
Mais uma vez, decidiu seguir a direção do sol.
Desta vez...
...rumo ao Nordeste brasileiro.
A Feira sentirá falta do seu sotaque francês, da sinceridade que nunca escondia, das conversas, da simplicidade, das escolhas conscientes, do olhar atento à natureza e da amizade construída ao longo desses anos.
Mas algumas pessoas não pertencem a um único lugar.
Elas pertencem ao caminho.
Bonne route, Betty.
Que o sol continue iluminando cada novo destino.
À bientôt.

Bty Scho Dicas

A vida floresce pela segunda vez

Dora e Carlinhos na tenda de plantas da Feira do verde

Dora e Carlinhos - a base da Mandrágora

Algumas histórias parecem seguir caminhos diferentes durante muitos anos.
Até que, em algum momento da vida, descobrem que sempre estiveram destinadas a florescer juntas.
Foi assim com Dora e Carlinhos.
Ainda jovens, seus caminhos se cruzaram. Depois, a vida os levou por direções diferentes. Cada um construiu sua própria família, tiveram filhos, viveram novas experiências e escreveram capítulos importantes de suas histórias.
Mas o destino ainda guardava um reencontro.
Anos depois, essas trajetórias voltaram a se encontrar e descobriram que o tempo não havia apagado aquilo que realmente importava.
Dora, publicitária, é comunicativa, espontânea e cheia de energia. Conversa com todos, compartilha experiências e faz amizades com facilidade.
Carlinhos é diferente.

A rua da Feira do verde sempre desperta o interesse do visitante.

Sempre cultivou uma profunda ligação com a natureza. Apaixonado por plantas, jardinagem e pela energia da terra, mantém opiniões firmes e um jeito autêntico de enxergar a vida.
Foi justamente dessa união de personalidades tão distintas que nasceu um espaço único na Feira do Verde, dentro da Feira de Embu das Artes.
Entre mudas frutíferas, cactos, plantas ornamentais, vasos decorativos e muito verde, criaram um ambiente que convida as pessoas a desacelerar.
Os pequenos vasos com ímã, os suportes em crochê, a diversidade de espécies e os inúmeros conselhos sobre como cuidar de uma planta transformam cada atendimento em uma conversa cheia de afeto.
Porque, para eles, cultivar uma planta é muito mais do que regar um vaso.
É cuidar da própria vida.
Entre brincadeiras, bom humor e muito conhecimento, Dora e Carlinhos conquistaram clientes e amigos que retornam não apenas pelas plantas, mas pela alegria de reencontrá-los.
De vez em quando dizem que vão parar.
Que talvez seja hora de diminuir o ritmo.
Que talvez venham novos caminhos.
Mas, a cada final de semana, o que se confirma é algo muito mais forte.
O amor pela natureza.
O respeito pela vida.
E a certeza de que algumas histórias, assim como as plantas, florescem quando encontram o ambiente certo.

Mandrágora Arte Natural

Fantasia viva e seus mistérios - Dragolin

Magos, Bruxas e Dragões em exposição na Feira.

Quem observa os magos, bruxas e dragões criados por Alexandre Golin dificilmente imagina que sua trajetória começou trabalhando como padeiro e confeiteiro.
Foi nesse período que produziu sua primeira peça artesanal: um simples ímã de geladeira em biscuit.
Parecia apenas um pequeno objeto.
Na verdade, era o início de uma jornada que mudaria completamente sua vida.
A criatividade, porém, sempre procurava novos caminhos.
A paixão pelo rock, pela astrologia e pelo universo medieval despertou um imaginário que rapidamente tomou conta de suas criações.
Aos poucos, Alexandre deixou para trás os pequenos objetos decorativos e mergulhou em um mundo onde a fantasia se transforma em arte.

Magos, Bruxas e Dragões em sua exposição na Feira.

Foi assim que nasceu o Dragolin.
Há mais de vinte e cinco anos, sua criatividade encanta visitantes da Feira de Embu das Artes com personagens que parecem ter atravessado séculos para chegar aos dias atuais.
Magos, bruxas, dragões e criaturas fantásticas ganham forma por meio da combinação de tecidos, estruturas em arame, resinas, colas, tintas e muita ousadia.
Cada peça possui identidade própria.
Algumas decoram ambientes.
Outras transformam-se em incensários.
Todas carregam simbolismos, mistérios e uma atmosfera capaz de despertar curiosidade, imaginação e encantamento.
A astrologia também ocupa um lugar especial nesse universo criativo.
E foi sob a influência dos astros que, em 2017, sua própria história ganhou um novo capítulo.

Alexandre e Jeane , dragões, magos e bruxas

O encontro com sua parceira, “uma bruxa potiguar forrozeira”, Jeane, trouxe brilho e leveza para sua vida.
E os astros não pararam por aí: o encantamento definitivo se fortaleceu com a chegada dos netinhos, que hoje transbordam o coração de Dragolin.
Para Alexandre, tudo se conecta pela astrologia. Passado, presente e futuro se entrelaçam e inspiram personagens que parecem carregar suas próprias histórias, muito antes mesmo de encontrarem um novo lar.
Seu trabalho ultrapassa o artesanato.
É um convite para entrar em um universo onde a fantasia continua viva, provando que a arte é capaz de despertar o imaginário, provocar emoções e fazer adultos e crianças acreditarem, ainda que por alguns instantes, que dragões realmente existem.

Dragolin

A receita que transbordou a vida

Paloma e Bruno - a receita original da P&B Confeitaria

Quem diria que um curso técnico em Edificações daria origem a uma das histórias mais doces da Feira de Embu das Artes?
Em 2014, Paloma e Bruno viviam a realidade de muitos jovens brasileiros. Com o pequeno Henrique, de apenas um ano de idade, dividiam os sonhos, os estudos e os desafios de construir uma vida em família.
Bruno investia em sua carreira musical e precisava encontrar uma forma de custear os investimentos na rádio.
Foi então que pediu ajuda à Paloma para produzir trufas recheadas e bombons artesanais. O que nasceu da necessidade financeira acabaria transformando completamente o destino da família.
Entre uma fornada e outra, Paloma descobriu uma paixão que mudaria seus planos.
Deixou o curso técnico de Edificações para seguir um novo caminho, ingressando na Gastronomia.
Assim nasceu a P&B Confeitaria.
Como uma receita preparada com carinho, cada etapa trouxe novos aprendizados. Vieram os desafios, as correrias da rotina

Paloma exibe um bolo de chocolate da sua produção

com um filho pequeno, os testes de sabores, os cremes, as frutas, as coberturas e muita criatividade.
A Feira de Embu das Artes tornou-se a vitrine perfeita para esse sonho ganhar forma. Pouco a pouco, os doces conquistaram visitantes, fidelizaram clientes e abriram novas oportunidades.
Hoje, além do espaço na Feira, Paloma e Bruno celebram mais uma importante conquista: a abertura da primeira loja física da P&B Confeitaria, oferecendo novas experiências para quem deseja muito mais do que uma sobremesa.
A família também cresceu.
Henrique, que acompanhou os primeiros passos dessa trajetória ainda bebê, hoje divide com a pequena Pietra, de cinco anos, o orgulho de ver o sonho dos pais transformado em realidade.
Ambos participam dessa caminhada com alegria, tornando a confeitaria uma história construída em família.
Cada doce preparado pela P&B leva um ingrediente que não aparece em nenhuma receita.
Persistência.
E a certeza de que, quando duas pessoas acreditam no mesmo sonho, o trabalho, a dedicação e o amor podem transformar completamente uma vida.

P&B Confeitaria

Quando brincar virou caminho

Elisangela- Elis, uma jovem mãe com dois filhos e as escolhas que marcaram sua caminhada

Em um relacionamento desde os 14 anos, entre namoro e casamento, Elis construiu durante cerca de 30 anos uma vida que também envolvia trabalho, família e os desafios de conciliar carreira e maternidade.
Desde cedo, trabalhou no mundo corporativo e, como tantas mulheres, precisou fazer escolhas entre a faculdade, a carreira administrativa em uma multinacional e os cuidados com os filhos.
Até que uma situação séria de saúde envolvendo seu filho mais velho, ainda pequeno, mudou o rumo dessa história.
Em meio à preocupação, Elis encontrou no universo lúdico uma forma de amenizar aquele momento.
Com amor e criatividade, começou a criar.
E foi assim que nasceu também a Amigos Pra Brincar.
Sua habilidade para criar e desenvolver peças ganhou forma em uma pequena produção artesanal.

Ursa se destaca em uma base giratória na exposição.

Vieram as naninhas, os coelhos, as bonecas e tantos outros bichinhos que foram ganhando vida pelas suas mãos.
O que começou como uma maneira de cuidar do filho acabou se transformando em uma possibilidade de trabalho.
Elis percebeu que poderia estar mais próxima dos filhos, acompanhar o crescimento deles e, ao mesmo tempo, conquistar sua própria liberdade financeira.
Nem sempre encontrou apoio para seguir esse caminho.
Houve momentos em que seu trabalho foi desvalorizado, mas Elis não desistiu do projeto que havia começado.
Os filhos cresceram acompanhando essa trajetória.
Já adolescentes, viram a mãe transformar sua criatividade em profissão e acompanharam de perto o crescimento da designer criativa e artesã que dava vida aos bichinhos que criava.

Elis em seu espaço de exposição na Feira, dando acabamento em uma peça.

Em 2019, Elis tomou outra decisão importante. Depois de 30 anos naquele relacionamento, escolheu seguir um novo caminho.
Saiu de casa e começou a reconstruir sua vida.
Seus filhos já tinham entendimento para fazer suas próprias escolhas e, mesmo diante das dificuldades daquele momento, Elis preservou para eles a liberdade de decidir onde queriam ficar.
Continuava sendo mãe — presente, disponível e pronta para oferecer o acolhimento que sempre dedicou aos filhos.
Mas agora também precisava dar espaço para outro sonho: criar e se libertar.
Começou então sua jornada de exposições em feiras e eventos, até chegar à Feira de Embu das Artes em 2018, onde encontrou um espaço para apresentar seu trabalho e continuar essa história.
E os filhos também fizeram parte desse caminho.
Eles aprenderam algumas etapas do fazer artesanal e, para surpresa da mãe, em vez de pedir mesada, pediram uma oportunidade para trabalhar com ela no atendimento ao público e começar sua própria caminhada profissional.
Ainda hoje, eventualmente, estão ao lado da mãe em seu espaço na Feira.
Também ajudam nos acabamentos de algumas peças e acompanham, com orgulho, a independência que ela conquistou.
Quem passa pelo seu local de exposição frequentemente encontra Elis finalizando uma peça.
Às vezes, porque a correria não permite concluir tudo no ateliê.
Mas também porque existe algo especial em ver um artesão criando diante dos olhos de quem visita a Feira.
E quase sempre vem a pergunta:
— É você que faz?
Elis não se incomoda.
Pelo contrário.
Ela sorri, com a satisfação de quem conhece o valor do próprio fazer.
— Sim, sou eu.
Amigos Pra Brincar
Criadora da Amigos Pra Brincar, Elis produz bichinhos de “pelúcia”, naninhas e bonecas, em peças feitas à mão.
São criações pensadas para acompanhar as crianças com segurança e carinho, inclusive com a praticidade de poderem ser lavadas na máquina de lavar.
De uma mãe que buscava uma maneira de cuidar do filho nasceu uma criadora.
Da criatividade nasceu um trabalho.
E desse trabalho nasceu também uma nova possibilidade de vida.
Esta é a história da Elis, conheça mais sobre o seu trabalho.

AmigosPraBrincar

Uma família com DNA artesanal

Li + Li Arte no Retalho

Li+ Waltinho em sua exposição na Feira.

Alguns nomes carregam muito mais do que palavras.
Carregam histórias.
No caso da Li + Li Arte no Retalho, cada detalhe revela um pedaço dessa trajetória.
O primeiro Li representa Lindaurea Sá.O sinal + simboliza Waltinho, seu companheiro de vida e de trabalho.
O segundo Li é Linda Jade,a filha que trouxe novos olhares, inovação e a força da moda para o universo artesanal da família.
Há mais de vinte anos, eles transformam tecidos em arte e fazem da Feira de Embu das Artes sua casa.
Como a própria Lindaurea costuma dizer:
"Fazendo arte, costurando histórias e bordando memórias."
Essa frase resume perfeitamente quem eles são. Antes da arte ocupar o centro de suas vidas, os caminhos eram outros. Lindaurea trabalhou como secretária. Waltinho construiu sua carreira no sistema bancário. Jamais imaginariam que o DNA artesanal da família floresceria com tanta intensidade, impulsionado também pela formação de Jade em Moda.
Hoje, cada um contribui com um talento especial.
Lindaurea canta, dança, costura, pinta e borda. Sua matéria-prima é o tecido, e a ressignificação transforma cada criação em um convite à sustentabilidade e ao consumo consciente.
Waltinho, apaixonado por música, leitura e boas conversas, sempre está pronto para descobrir algo novo. 

Local de exposição de Li e Waltinho

Entre cortes de tecidos e podcasts, acabou rendendo-se também à costura, tornando-se parte essencial do processo criativo da família.
Jade une tradição e contemporaneidade.
Sua formação em Moda trouxe novas possibilidades, combinando referências vintage e design atual para fortalecer uma identidade construída com afeto, criatividade e trabalho coletivo.
Em 2022, mãe e filha viveram um momento marcante.
Foram selecionadas para integrar o grupo de artistas de Embu das Artes responsável pela recriação de peças históricas para a reinauguração do Museu do Ipiranga, desenvolvendo versões inclusivas e sensoriais que permitiram a um público ainda maior vivenciar esse importante patrimônio cultural brasileiro.
Hoje, continuam expondo seus trabalhos todos os finais de semana na Feira de Embu das Artes, onde cada peça costurada leva consigo muito mais do que linhas e tecidos.
Leva a história de uma família que descobriu que a arte também pode unir gerações.

Bolsa customizada com casarios coloridos.

Li+Li Arte No Retalho

Há sonhos que uma geração realiza pela outra

Há saberes que passam de mãe para filha. Suzana Moura-Tricô

Nascida e criada em Embu das Artes, Suzana cresceu em uma família de quatro irmãs, onde o fazer artesanal fazia parte da vida.
Sua mãe costurava, bordava, tricotava, fazia crochê, pintava e dominava diferentes técnicas artesanais.
Mais do que praticá-las, fez questão de ensinar esses saberes às filhas.
Curiosamente, a matriarca nunca conseguiu se tornar expositora na Feira de Embu das Artes.
As filhas conseguiram.
E Suzana não apenas realizou esse feito: continua, até hoje, levando seu trabalho para a Feira.
Mas o tricô não foi, de início, sua profissão.
Suzana trabalhou como promotora de vendas e chegou a levar o curso de Magistério para a sala de aula.
A vida, porém, foi redesenhando seus caminhos.
Depois do nascimento de sua primeira filha — entre os três filhos que teve — surgiu também um desejo muito próprio da maternidade: estar perto, cuidar, acompanhar o crescimento e participar

A exposição das peças em tricô na Feira próximo do Museu.

de cada fase dos filhos. 
Talvez tenha sido a maternidade.
Talvez tenham falado mais alto os saberes que sua mãe havia plantado nela desde menina.
O fato é que Suzana mudou a rota profissional.
E o tricô ganhou espaço.
A técnica da matriarca despertou em Suzana não apenas habilidade, mas também criatividade e um olhar atento para a moda. Ela passou a experimentar cores, formas e possibilidades, criando uma moda artesanal que transita entre referências, com peças de cores quentes e, ao mesmo tempo, discretas, sempre acompanhadas de muito bom gosto.
Sua curiosidade também a levou para além da Feira.
Suzana participou de eventos e exposições, inclusive em calçadas da Avenida Paulista e da Teodoro Sampaio, explorando novos espaços e apresentando seu trabalho a diferentes públicos.
Essa inquietude faz parte de sua maneira de criar: observar, experimentar e surpreender com o próximo trabalho.

E foi com o artesanato que Suzana também criou os filhos.
O tricô, que começou como um saber aprendido dentro de casa, transformou-se em profissão, sustento, criatividade e caminho de vida.
Hoje, a Feira de Embu das Artes é sua principal base de exposição. Eventualmente, Suzana participa de outros eventos e exposições, mas é na Feira que sua história encontra um significado especial.
Suzana fez acontecer.
E talvez seja justamente aí que esteja a beleza dessa história: um saber que atravessou gerações e um sonho que encontrou continuidade.
Nas mãos de Suzana, o tricô se transforma em peças que despertam curiosidade, desejo e encantamento.
Técnica, diversidade, qualidade e criatividade se encontram em uma moda artesanal que carrega algo que não se aprende em nenhum curso: os saberes de uma família.
E, na Feira de Embu das Artes, Suzana continua escrevendo essa história — ponto a ponto, criação a criação, geração após geração.

Suzana e seu trabalho na Feira.
Suzana Moura - Tricô

Um reencontro com a vida

Tania e Samuel - o amor adolescente e a solidez de uma família capaz de superar momentos impensáveis

Eles se apaixonaram logo de cara — e não se largaram mais.
Assim seguia a vida de Tania e Samuel.
Ele, operador de trem do Metrô.
Ela, policial militar.
Dessa união vieram as filhas, Débora e Marina, que hoje, adultas, seguem suas próprias vidas e profissões, levando aos pais a alegria de vê-las realizadas.
Além de suas profissões, Tania e Samuel mantinham uma marcenaria de móveis planejados.
A busca por conforto, estabilidade e melhores condições para a família sempre mereceu o esforço dos dois.
Até que, aos 38 anos, Samuel precisou enfrentar uma mudança radical de rota.
Um AVC isquêmico colocou em xeque aquilo que, até então, parecia uma vida saudável e plenamente possível.
Samuel perdeu o campo de visão dos dois olhos, do lado direito, e, mais doloroso ainda, perdeu a memória. Já não reconhecia as pessoas que amava.
A medicina também se deparava com perguntas difíceis: como um homem tão jovem e saudável poderia estar naquela situação?
Marina tinha apenas 5 anos e Débora, 16. Vieram as intercorrências, a necessidade de mudança de casa e, com ela, a necessidade de mudar praticamente tudo na vida da família.

Brinquedos pedagogicos

A marcenaria precisou ser encerrada.
As máquinas e ferramentas foram silenciadas.
O trabalho que Samuel tanto gostava ficou para trás — e ele já nem sabia exatamente o que aquele universo significava.
Começava um novo ciclo.
Tania precisou redirecionar sua própria vida para cuidar e proteger Samuel, que havia perdido suas referências.
Vieram procedimentos clínicos, tratamentos e tentativas de recuperação.
Dois anos se passaram.
Foi então que, durante uma sessão na AACD, algo aconteceu.
A chamada inteligência fotográfica de Samuel teve um primeiro sinal de retorno.
Pode parecer pouco.
Para quem havia recebido um diagnóstico de sequela definitiva, porém, aquele pequeno sinal era imenso.
Era uma fresta.
A recuperação não aconteceu de uma vez. Não houve um começo, meio e fim previsíveis. Houve pequenos reencontros.
E, de alguma forma, um quebra-cabeça ajudou a abrir esse caminho.
No fundo, o conhecimento da marcenaria nunca havia desaparecido completamente. Parecia estar guardado em algum lugar, esperando uma oportunidade para reagir.

Tania e Samuel expondo na Feira.

Mesmo sem enxergar pelo lado direito, Samuel decidiu colocar uma máquina para funcionar novamente.
Criou um roteiro.
Tudo precisava ser planejado: molde, ferramenta, máquina.
E, ao seu lado, estava sua leal parceira, monitorando cada etapa.
A essa altura, Tania já havia deixado a Polícia Militar para se dedicar à nova realidade da família.
Samuel produziu um lote de uma única peça: 200 quebra-cabeças.
Talvez tenha sido ali que encontrou um novo trilho para seguir.
Começou a pesquisar na internet sobre brinquedos pedagógicos — justamente aqueles que utilizava em seu tratamento na AACD. Foi o grande clique de uma nova fase de sua vida.

Expondo na Feira

Aos poucos, a marcenaria voltou.
Vieram novas criações, novos brinquedos, novas ideias.
A produção foi crescendo e, em determinado momento, o espaço já estava abarrotado de produtos.
Tania então começou a buscar caminhos para comercializar o que Samuel produzia.
Vieram feiras, eventos, escolas e clínicas de reabilitação pedagógica, até que o caminho os levou à Feira de Embu das Artes.
Ali encontraram trabalho, público e um lugar para compartilhar aquilo que haviam reconstruído juntos.
Samuel produzia. Tania acompanhava. E ele, a cada dia, recuperava um pouco mais de si.
Tania e Samuel já haviam construído, ao longo dessa caminhada, amizades que se tornaram importantes pontos de apoio.
Entre esses amigos estava Yoshi, que eles conheceram antes mesmo da Feira.
Quando Samuel passou a se dedicar mais à produção e Tania ficou à frente da participação na Feira, puderam contar com seu apoio e sua presença.
E não foi apenas Yoshi.
Como Tania faz questão de lembrar, eles fizeram amigos que sempre os ajudaram nessa caminhada — pessoas que, cada uma à sua maneira, fizeram parte dessa história e estiveram presentes nos momentos em que precisaram.

Passaram a frequentar a Feira, encontrando também novas experiências e a alegria de fazer parte de um dos destinos mais visitados do Brasil.
Viajar sempre foi uma paixão dos dois. E as viagens também se transformaram em uma maneira de fazer a vida fluir com mais leveza, celebrando cada conquista e agradecendo por tudo o que haviam superado.
Depois de 14 anos expondo na Feira de Embu das Artes, um novo ciclo se aproxima.
Tania e Samuel decidiram encerrar a produção e sua participação na Feira.
Mas encerrar uma etapa não significa parar de viver.
Hoje, na chamada melhor idade, estão organizando um novo roteiro para a vida. Um roteiro ainda aberto, cheio de possibilidades — e, quem sabe, com espaço para descobrir qual será o próximo brinquedo da vez.
A história de Tania e Samuel mostra que a vida nem sempre segue os trilhos que imaginamos.
Às vezes, é preciso parar, reconstruir, reaprender e encontrar uma nova direção.
E talvez essa seja a maior lição deixada por eles: um diagnóstico pode descrever uma condição, mas não precisa determinar o roteiro da nossa vida.
Samuel reencontrou seus caminhos.
E, ao lado de Tania, transformou a própria história em um novo começo.
“Fizemos amigos que sempre nos ajudaram nessa caminhada, dentre os quais você também faz parte. Muito obrigada, de todo o meu coração.”

Arte Mania Brinquedos

Nossa série terá muitas histórias...