Artes Plásticas em Embu: raízes de um movimento

Cassio M'Boy (1903-1986), pioneiro do movimento artístico da cidade.
A premiada obra "A Fuga para o Egito", medalha de ouro em Paris em 1937.

Um artista brasileiro revelado ao Brasil pelo Jury da Exposição Internacional de Paris

Cássio M'Boy e o reconhecimento internacional

Escultor, pintor e decorador, Cássio M'Boy encontrou na madeira uma de suas principais formas de expressão, criando obras que revelavam uma linguagem própria e uma forte ligação com a arte sacra.
Então residente e radicado na Vila M'Boy, antiga denominação de Embu, sua trajetória se entrelaça à história de uma pequena vila que, décadas mais tarde, se tornaria internacionalmente conhecida por sua vocação para as artes e pela pluralidade de seu movimento cultural.
Em 1937, seu nome ultrapassou as fronteiras do Brasil.
Sua escultura “A Fuga para o Egito”, em madeira, foi apresentada na Exposição Internacional de Artes e Técnicas de Paris e recebeu a medalha de ouro, uma das mais importantes formas de reconhecimento concedidas naquela exposição.
A notícia repercutiu na imprensa brasileira. A reportagem publicada naquele ano apresentava Cássio como um artista que havia sido revelado ao Brasil pelo júri da exposição de Paris.
E havia algo de extraordinário nessa história: Cássio estava radicado na pequena Vila M'Boy, distante dos grandes centros artísticos brasileiros, enquanto sua obra conquistava reconhecimento internacional.

Uma casa de encontros

O reconhecimento alcançado por Cássio ajuda também a compreender a importância que sua presença passou a ter no ambiente artístico de M'Boy.
Sua casa tornou-se ponto de encontro e convivência com artistas e intelectuais que circulavam pelo universo das artes brasileiras.
Entre os nomes associados a essa convivência estão Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Alfredo Volpi e Yoshio Takaoka, entre outros.
É importante compreender essa relação dentro de seu contexto histórico: Cássio não deve ser apresentado como participante da Semana de Arte Moderna de 1922, mas como um artista que, posteriormente, manteve contato e convivência com importantes nomes ligados ao modernismo e às artes brasileiras.
A presença desses artistas em M'Boy revela algo maior.
A antiga vila começava a se transformar em um espaço de encontros, trocas, influências e criação artística.
A arte não estava apenas nas obras produzidas ali.
Ela também estava nas relações que se estabeleciam entre pessoas, técnicas, experiências e diferentes formas de enxergar o mundo.

E a história continuou

A trajetória artística de Embu não parou em Cássio M'Boy.
Outros artistas chegaram, outros caminhos foram construídos e novas linguagens passaram a fazer parte dessa história.
Entre esses nomes está Tadakiyo Sakai, artista de origem japonesa que manteve contato com Cássio M'Boy e recebeu dele ensinamentos relacionados à escultura.
Anos depois, já na década de 1960, essa movimentação artística ganharia uma nova dimensão com o Salão de Artes Plásticas de Embu, realizado em 1964.
A partir daí, novas gerações, novas técnicas e diferentes manifestações artísticas passaram a compor o cenário cultural da cidade.
E, em 1969, essa história encontraria uma nova expressão nas ruas com a oficialização da Feira Hippie, a arte também ganharia as ruas.
Naquele período, a Feira acontecia no entorno do Museu de Arte Sacra, no Largo dos Jesuítas, integrando-se ao conjunto histórico que já fazia de Embu um espaço de encontro e expressão artística.
A história, portanto, não ficou no passado.
Ela continua sendo construída por artistas, obras, encontros e diferentes formas de expressão que se renovam ao longo do tempo.

Muitas raízes, uma história

Talvez seja essa uma das maneiras mais bonitas de compreender a trajetória artística de Embu das Artes.

Cássio M'Boy é uma das raízes
Mas uma árvore não cresce a partir de uma única raiz.
A raiz essencial desse movimento cultural foi se fortalecendo ao longo do tempo com a chegada de outros artistas, artesãos, mestres e criadores, cada um trazendo consigo suas próprias histórias, culturas, técnicas e formas de expressão.
Escultura, pintura, madeira, cerâmica, tecelagem, metal, papel, fibras, objetos, saberes tradicionais e tantas outras linguagens passaram a se encontrar nesse território.
Raízes diferentes.
Técnicas diferentes.
Pessoas diferentes.
Uma história que foi crescendo pelo encontro.
E talvez seja justamente nessa pluralidade que esteja uma das maiores riquezas de Embu das Artes.
A história de Cássio M'Boy é apenas uma dessas raízes.
Outras histórias ainda estão esperando para ser contadas..

O ontem e o hoje

A Feira na década de 70.
A Feira nos dias atuais.

A história se reorganiza e segue

O movimento que acontecia apenas no entorno do Museu de Arte Sacra, no Largo dos Jesuítas, se fortalece, cresce e se propaga pelas vias do Centro Histórico.
O tempo passou, a cidade mudou e os espaços também.
Hoje, a exposição de Artes Plásticas acontece, na Praça das Artes, ao lado do Largo 21 de Abril.
As obras continuam ocupando o espaço público, aproximando artistas, moradores e visitantes e mantendo as artes plásticas presentes no cotidiano da cidade.
A história, portanto, não ficou no passado.
Ela continua sendo construída por artistas, obras, encontros e diferentes formas de expressão que se renovam ao longo do tempo.