Sucesso que Inspira

Todo sucesso tem uma história. Algumas histórias podem inspirar outras.

Episódio 1

Sandra Reis — O risco que bordou sua vida

Mostrando um dos veus bordados.

Bordadeira Raiz — Quem conhece Sandra Reis, com seu sorriso solto, seu carisma e sua maneira espontânea de conversar, talvez não imagine a trajetória que existe por trás de cada bordado.
Aos 58 anos, Sandra continua trabalhando, criando e ensinando e levando se conhecimento para pessoas no Brasil e no exterior.
Mas essa história começou quando ela ainda era menina.
Primeira filha de uma mãe solo que veio do Paraná para São Paulo, em busca de uma vida mais digna para seus filhos.
Aos oito anos queria ajudar a família e aos onze anos, Sandra já ajudava a família cuidando de crianças em uma oficina de vestidos de noiva bordados.
Na escola, gostava de desenhar. Divertia-se fazendo seus próprios traços, sem imaginar que aquela habilidade encontraria um caminho muito maior.
Certa tarde, observando a patroa fazer os riscos para os bordados, disse que sabia fazer aquilo.
A resposta foi um convite ao destino: "Você quer fazer?" — "Sim. Quero. Sou capaz." Aos 11 anos teve sua primeira experiência com o bastidor e, aos 12, já ensinava outras meninas.
Ely, que havia começado como patroa, tornou-se amiga, parceira profissional, apoiadora e, como Sandra a define, uma espécie de "mãe escolhida".
O bordado virou profissão.

Sandra observa detalhes do bordado no véu.

Quando o bordado virou profissão — Sandra começou a ganhar dinheiro com os bordados ainda na adolescência.
Era praticamente uma criança, mas já recebia pelo próprio trabalho.
O valor podia parecer pequeno, mas significava muito para ela: era o começo de sua independência.
Permaneceu com Ely dos 12 aos 21 anos.
Quando se casou, veio uma das grandes viradas de sua vida. Sandra deixou a oficina e montou a própria oficina dentro de casa.
A máquina que usava foi presente de Ely.
E Ely fez ainda mais: passou a Sandra seu primeiro cliente.
A partir daquele primeiro trabalho, Sandra começou a construir sua própria trajetória profissional.
Naquela época não existiam redes sociais para apresentar um trabalho ao mundo.
O nome circulava de outra maneira: pela qualidade, pela responsabilidade, pelo cumprimento dos prazos e, principalmente, pelo boca a boca.
O bordado delicado de Sandra começou a ser procurado.
Os pedidos aumentaram.
Ela conta que chegou a transportar de ônibus três ou quatro vestidos de uma só vez, carregando sacolas enormes que chegavam a cortar seus braços de tão pesadas.
A pequena oficina cresceu.
Sandra começou a ensinar outras pessoas, comprou mais máquinas e chegou a ter aproximadamente oito meninas trabalhando dentro de sua oficina, além de outras quatro ou cinco bordadeiras trabalhando fora.
Mas havia algo que continuava sendo exclusivamente dela:
os riscos.
Sandra recebia os trabalhos, criava ou desenhava os riscos e depois ensinava as bordadeiras a executar aquilo que havia criado. Na Rua São Caetano, Sandra conheceu Pedrinho Fernandes, que já era bastante conhecido no segmento.
O trabalho de Pedrinho cresceu, e Sandra cresceu junto.
Naquela época, quem conhecia os vestidos bordados sabia: os trabalhos que chegavam até a loja tinham a mão de Sandra.

Véu de Noiva longo.

Dos vestidos de noivas aos grandes nomes da moda.
Vieram outros estilistas e grandes nomes da moda. Sandra trabalhou com Clodovil e com Ronaldo Ésper, entre outros profissionais, inclusive em trabalhos realizados de forma terceirizada.
Entre 1994 e 2012, seu bordado esteve presente em grandes feiras e eventos ligados ao universo da moda e dos vestidos de noiva, incluindo a Expo Center Noivas e o São Paulo Fashion Week.
Nas épocas de feira, o volume de trabalho era enorme. Sandra conta que chegou a bordar praticamente todos os modelos que iam para a passarela. Períodos que ela mal dormia para conseguir entregar tudo no prazo.
Porque havia duas coisas que nunca faltaram: amor pelo trabalho e responsabilidade com aquilo que lhe era confiado.
E foi assim, ponto por ponto, bordado por bordado, cliente por cliente, que aquela menina que havia começado a aprender ainda criança construiu seu espaço profissional.
O bordado atravessa fronteiras —
Os trabalhos internacionais surgiram quase sem que ela percebesse, conquistando clientes na África do Sul, na França e, mais recentemente, na Irlanda — onde suas peças coloridas encantam noivas em casamentos em castelos.
Sandra conta, com o humor que lhe é próprio, que naquela época nem sabia fazer a conversão do dólar.
Atualizou-se. Sem se descaracterizar.
O mundo do bordado mudou.
A tecnologia chegou, o bordado eletrônico ganhou espaço e novas possibilidades surgiram.
Sandra acompanhou essas transformações.
Inclusive incentivou seu marido, Júlio, a criar uma empresa de uniformes profissionais utilizando bordado computadorizado.
Mas ela própria permaneceu fiel ao seu jeito de fazer.
A mesma máquina que recebeu de Ely continua fazendo parte de sua história.
Os riscos continuam sendo criados por ela.
O bastidor continua presente.
E o bordado manual continua sendo sua escolha.
Sandra chama a si mesma de Bordadeira Raiz.

Sandra mostrando um pouco do seu trabalho.

O YouTube que nasceu por acaso — A presença digital começou com um vídeo gravado pelo filho quando ele ainda era pequeno. Anos depois, incentivada pela sobrinha, ela descobriu que o canal acumulava milhares de visualizações.
Hoje, presente no YouTube, Instagram, TikTok e Pinterest, Sandra já ensinou entre três e quatro mil pessoas online, transformando o bordado em terapia e nova profissão para muitas alunas.
O conhecimento continua circulando, Sandra ensina bordado desde os doze anos, parece que foi ontem e seu entusiasmo continua contagiante. Um trabalho prazeroso, terapêutico e rentável.
Uma artista que a cidade ainda precisa descobrir.
Há quase duas décadas, Sandra escolheu Embu das Artes para viver.
É frequentadora da Feira, leva amigos para conhecer, compra e acompanha o movimento da cidade, mas, curiosamente sua trajetória artesanal não é conhecida em Embu das Artes.
Talvez essa seja uma das surpresas desta história.
Uma mulher que começou a bordar aos oito anos.
Que aos doze já ensinava outras meninas.
Que construiu sua própria oficina.
Que chegou a trabalhar com grandes nomes da moda.
Que bordou vestidos para passarelas e grandes eventos.
Que enviou seu trabalho para diferentes países.
Que continua criando para clientes internacionais.
Que hoje ensina milhares de pessoas pelas redes sociais.
Ela resume sua habilidade e profissionalismo simplesmente como aquilo que escolheu ser: uma Bordadeira Raiz.

O risco que bordou sua vida.
Sandra começou desenhando na escola.
Depois viu uma mulher fazendo um risco para um bordado e disse que era capaz.
Aos oito anos, talvez ela não pudesse imaginar tudo o que aquele traço desencadearia.
O risco virou bordado.
O bordado virou profissão.
A profissão virou independência.
A independência virou oficina.
A oficina virou conhecimento compartilhado.
E o conhecimento atravessou fronteiras e chegou às redes sociais.
Hoje, aos 58 anos, Sandra continua fazendo aquilo que começou a fazer menina e mantem sua relação carinhosa com Ely.
O mundo mudou.
A tecnologia mudou.
Os caminhos mudaram.
Sandra também se atualizou. Mas não se descaracterizou.
Continua desenhando seus próprios riscos, trabalhando com suas mãos, ensinando outras pessoas e preservando o jeito de fazer que ela própria chama de bordado raiz.
Talvez seja essa a maior beleza de sua trajetória: ela não precisou deixar suas raízes para chegar ao mundo.
Sandra Reis é uma Bordadeira Raiz.
E esta é uma história que também enriquece a tradição cultural de Embu das Artes.

Bastidor gigante como uma tela e seu bordado e sua criadora ao centro
Bordadeira Raiz

Episódio 2

Edilia de Bona - Uma história de criação, trabalho e recomeço

Há histórias que se constroem com madeira. Outras, com coragem. A de Edilia tem um pouco das duas

Móveis disponíveis em sua loja.

Catarinense, de origem italiana, Edilia chegou à movelaria depois de uma primeira trajetória profissional como enfermeira.
Aos 62 anos, carrega 35 anos de história à frente de sua loja em Embu das Artes — uma trajetória que também se mistura à história da própria movelaria da cidade.
Empreendedora e designer de seus próprios móveis, Edilia construiu seu trabalho valorizando aquilo que considera essencial: qualidade, bom gosto, exclusividade e identidade.
Suas criações incluem peças únicas e diferenciadas, além de móveis sob medida, acompanhando as necessidades de cada cliente e as transformações do mercado.
Seu cuidado também está na escolha dos materiais.

Moveis e peças decorativas.

Madeiras certificadas, de demolição e reutilizadas fazem parte de sua produção, revelando uma maneira de criar que une estética, funcionalidade e respeito ao meio ambiente.
Uma história que atravessou gerações e inspirou sua filha a seguir o mesmo caminho, e outros familiares também encontraram nesse ofício uma forma de empreender.
É assim que uma profissão deixa de ser apenas um trabalho e passa a fazer parte de uma história familiar.
Edilia integra ainda uma geração de moveleiros vindos, em grande parte, da região Sul do Brasil, que se estabeleceram em Embu e ajudaram a fazer da movelaria rústica uma das vertentes que projetaram a cidade para além das artes plásticas.

Edília acompanha todo seu processo produtivo.

O fogo que queimou tudo também fortalece sua perseverança.
Em 2024, Edilia viveu um dos momentos mais difíceis de sua trajetória.
Naquele período, mantinha duas lojas. Um incêndio destruiu completamente uma delas e atingiu cerca de 80% da outra.
Para quem acompanhou a cena, era difícil imaginar como seria possível recomeçar diante de tamanha destruição.
Mas Edilia tinha algo que talvez o fogo não pudesse alcançar: a capacidade de continuar.
E, quase como uma ironia do destino, havia também um estoque significativo de peças em produção.
Foi a partir do que restou que ela reorganizou seu trabalho, unificou o que ainda podia ser aproveitado e voltou a construir.

Edilia em sua loja de móveis e peças decorativas.

Ressurgiu das cinzas.
Não como quem simplesmente retorna ao que era, mas como quem entende que o acaso também pode obrigar a gente a se reinventar.
Reinventar também é criar.
Ao longo de 35 anos, Edilia viu o mercado mudar.
Os espaços dos imóveis ficaram menores.
Os estilos se transformaram.
Novos conceitos de decoração chegaram para atender consumidores cada vez mais exigentes.
E ela acompanhou essas mudanças.
Continuou criando, adaptou sua produção, passou a atender também projetos sob medida e preservou aquilo que sempre foi sua marca: peças diferenciadas, qualidade e personalidade.
Hoje, quem encontra Edilia entre seus móveis encontra mais do que uma empreendedora.
Encontra uma mulher que construiu sua trajetória com as próprias mãos — e que continua criando depois de atravessar uma das maiores adversidades de sua vida profissional.
A história continua.
A história de Edilia também é parte da história de Embu das Artes.
Uma cidade construída por diferentes origens, ofícios, talentos e pessoas que chegaram, criaram raízes e deixaram suas marcas.
Esta é uma dessas histórias.
E ela continua sendo escrita, peça por peça.

Ediana Móveis

Episódio 3

Sabor que Abraça

Algumas histórias começam com uma receita. Outras, com uma lembrança. A de Eva é uma mistura afetiva

A caixa do bolo de rolo e o bolo.

Não bastou ser o famoso Bolo de Rolo, patrimônio cultural de Pernambuco.
Nas mãos de Eva, confeiteira paulista, de raízes mineiras e casada com um pernambucano, essa iguaria ganhou outro ingrediente: afeto.
O que inicialmente era feito para a família, como uma maneira de manter viva e pulsante uma tradição que atravessava gerações, foi ganhando espaço, significado e novos sabores.
O talento culinário de Eva encontrou na sua atitude empreendedora uma possibilidade de transformar memória em trabalho — e trabalho em um sonho.
E a família, mais uma vez, estava no centro de tudo.
Thiago e Isabella, seus filhos, tornaram-se o elo que deu nome à marca THIBELLA, construída a muitas mãos, com amor, união e aquele sabor especial que só as coisas feitas com afeto conseguem carregar.

Bolos de rolo no prontos.

Foi assim, ainda timidamente, que Eva levou seu talento para a Feira de Embu das Artes. Entre a Feira e o mundo corporativo, ela foi experimentando os primeiros passos de um projeto que ainda estava descobrindo o tamanho que poderia ter.
Mas a vida, às vezes, muda o rumo dos sonhos.
Eva ficou pouco tempo expondo na Feira. Naquele momento, a família falou mais alto.
Seu pai precisava dela, e cuidar dele, estar ao seu lado e dedicar-lhe seu tempo e seu afeto tornou-se a escolha mais importante.
Eva colocou seu sonho em pausa.
Não desistiu.
Apenas adormeceu, por um tempo, aquilo que ainda pulsava dentro dela.
O tempo passou.
Seu pai, que recebeu tanto amor e dedicação em vida, hoje se ilumina, de algum lugar, com as conquistas da filha perseverante — aquela que retomou seu sonho com ainda mais criatividade, coragem e foco.

Eva mostrando seu trabalho delicioso. Bolo de rolo e outros doces.

Eva voltou.
E voltou diferente.
Mais estruturada, cheia de ideias e ampliando os sabores da THIBELLA, transformou a experiência vivida em inspiração para criar, reinventar e seguir adiante.
Hoje, os sabores da THIBELLA chegam a muitas pessoas. E Eva, com seu sorriso radiante, recebe suas encomendas e entrega muito mais do que doces: entrega sabores, histórias e memórias afetivas.
Porque talvez seja isso que torne algumas receitas inesquecíveis: elas não alimentam apenas o paladar.
Elas abraçam.
E a história de Eva nos lembra de uma coisa muito simples e muito poderosa: nada é mais nosso do que o nosso próprio sonho.
Às vezes precisamos colocá-lo em pausa. Às vezes precisamos mudar o caminho.
Mas não devemos desistir daquilo que ainda faz nosso coração acelerar feliz.

THIBELLA

Em breve novos episódios....